Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Patrimônio cultural da humanidade


Lindo, charmoso e agora patrimônio Cultural da Humanidade. Assim é o conjunto arquitetônico da Pampulha. Nosso principal cartão-postal é um verdadeiro oásis de beleza e exuberância que arranca suspiros de admiração em seus visitantes.

O conjunto arquitetônico da Pampulha foi projetado por Oscar Niemeyer a pedido do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek e inaugurado em 1943. O projeto original contemplava a construção de um conjunto de edifícios ao redor dos 18 km da Lagoa da Pampulha, sendo um casino, uma igreja, uma casa de baile, um clube e um hotel. Apenas o hotel não foi construido e o casino foi transformado mais tarde no Museu de Arte da Pampulha.

O titulo de patrimônio cultural da humanidade foi concedido pela UNESCO em julho deste ano, durante cerimônia realizada em Istambul, na Turquia e serviu para colocar definitivamente BH no mapa do turismo no Brasil. Desde a concessão do título o número de turistas visitando a Pampulha aumentou significativamente. Algumas intervenções com o intuito de manter a honraria já estão sendo planejadas, como a despoluição completa da lagoa para permitir a pratica de esportes náuticos e a reforma da igrejinha, além da revitalização do Iate Tênis Clube, com a demolição de um anexo construido às margens da lagoa e que não faz parte do projeto original.

Ponto de informações turisticas

 

Banner comemorativo do título de patrimônio cultural da humanidade, concedido pela UNESCO

 

Fazem parte do complexo arquitetônico:

 

Igreja São Francisco de Assis

A “igrejinha da Pampulha” como é carinhosamente chamada, foi a última obra do complexo arquitetônico a ficar pronta em 1943 e é considerada a obra prima do conjunto. Seu interior abriga a Via Crúcis, constituída por catorze painéis de Cândido Portinari, considerada uma de suas obras mais significativas. Os jardins são assinados por Burle Marx. já Alfredo Ceschiatti esculpiu os baixos-relevos em bronze do batistério. Na área externa, é recoberta de pastilhas de cerâmica em tons de azul claro e branco, formando desenhos abstratos.

A grande curiosidade sobre a igrejinha é que durante anos ela foi renegada pela igreja católica, que condenou justamente seu formato excessivamente curvilíneo e também o painel de Portinari onde se vê um cachorro representando um lobo junto à São Francisco de Assis. Apenas em 1959, a Arquidiocese de Belo Horizonte decidiu reconhece-la e consagra-la como templo. Hoje, missas e até casamentos são realizados no local, que também é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA – MG) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Museu de Arte da Pampulha

Tão logo foi inaugurado, o primeiro cassino da cidade, passou a atrair jogadores de todo o Brasil, transformando a vida noturna de Belo Horizonte. O responsável pela casa era Joaquim Rolla, o mesmo administrador do cassino da Urca, no Rio de Janeiro, e do cassino do palácio Quitandinha, em Petrópolis, e esse fato levou a Belo Horizonte algumas das maiores atrações de shows musicais internacionais. Entretanto os tempos de glória do Cassino da Pampulha duraram pouco. Em 30 de abril de 1946, durante o governo do General Gaspar Dutra, o jogo foi proibido em todo o Brasil. O local passou a funcionar como museu em 1957, quando era conhecido como “Palácio de Cristal” e hoje possui um acervo de cerca de 1.600 obras, dentre elas, mostras da Arte Contemporânea brasileira, que enfocam variadas tendências artísticas. Um dos destaques do acervo são as obras de Guignard. Seu acervo reúne obras de diversos artistas plásticos como Oswaldo Goeldi, Fayga Ostrower e Anna Letycia, obras de modernistas como Di Cavalcanti, Livio Abramo, Bruno Giorgi e Ceschiatti e dos contemporâneos Antonio Dias, Frans Krajcberg, Ado Malagoli, Iberê Camargo, Tomie Ohtake, Ivan Serpa, Milton Dacosta, Alfredo Volpi, Franz Weissmann, entre outros.

Casa do Baile

Reprodução da assinatura de JK na entrada da Casa do Baile
Reprodução da assinatura de JK na entrada da Casa do Baile

Inaugurada em 1943, acabou desativada em 1948 após o fechamento do casino em 1946. A casa do baile se localiza em uma ilhota artificial, acessada por uma ponte de onze metros. Inicialmente foi projetada para ser um restaurante dançante, semelhante ao do casino, poré

m mais acessível por uma linha de bonde que tinha ponto final nas imediações. Se destaca pelas formas da fachada onde contém inclusive, uma reprodução da assinatura de JK e também por sua marquise sinuosa. A Casa recebe exposições temporárias, e divulga publicações, desenvolve seminários, encontros e outros eventos relacionados às áreas pertinentes à Casa. Possui um salão de 255 m², um auditório de 53 lugares com recursos multimídia, salas de apoio administrativo, ilha digital com os acervos documentais disponíveis a pesquisadores e ao público em geral. Em 2002 a Casa do Baile foi reaberta após sua restauração, realizada sob a coordenação do próprio Oscar Niemeyer com novos sistemas de climatização e iluminação. Seus jardins também passaram por um processo de revitalização obedecendo à intenção paisagística da proposta original de Burle Marx. Desde então, vem funcionando como um Centro de Referência de Arquitetura, Urbanismo e Design.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Iate Tênis Clube

Voltado inicialmente para a pratica de esportes náuticos, aproveitando o potencial da lagoa para esse fim, o Iate Tênis Clube era um clube de administração pública que antes se chamava Iate Golf Club, pois dispunha de um campo de golf na área onde hoje se localiza o Jardim Zoológico.

Construído em 1942 e tombado em 1994 pelo IPHAN, a arquitetura do Iate remete a um barco que se lança nas águas da Lagoa. Os jardins são de Roberto Burle Marx. O único prédio do complexo que não remonta à arquitetura original é um anexo construído na década de 1970, onde se localizam um salão de festa e academias de ginástica. A prefeitura de Belo Horizonte entrou em acordo com a direção do clube para desapropriar o local para demolição, já que para manter o título de patrimônio cultural da humanidade, a UNESCO exigiu a volta das obras do conjunto ao formato original.

Mas não só de belas arquiteturas vive a Pampulha. A região ainda conta com infraestrutura para a pratica de exercícios físicos, bons restaurantes, um parque de diversões, além de sediar os dois principais templos do esporte mineiro: O ginásio do Mineirinho e o estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão.

Parque de diversões Guanabara, localizado próximo a igrejinha, é uma das várias atrações da Pampulha

 

Vista do complexo Mineirinho/Mineirão
Vista do complexo Mineirinho/Mineirão

 

COMO CHEGAR

Infelizmente a região da Pampulha ainda não conta com linha de metrô, por isso a maneira mais fácil e barata de chegar lá de transporte público é utilizando as linhas de ônibus paradoras do sistema MOVE, que partem das estações localizadas nas avenidas Paraná e Santos Dumont, no Centro e também do Terminal Vilarinho, na região Norte, e que passam pelo corredor exclusivo da Avenida Antônio Carlos. A estação mais próxima do conjunto arquitetônico é a Santa Rosa. A tarifa do sistema MOVE BHTrans custa R$ 3,70 e do sistema MOVE Metropolitano custa R$ 4,45. Também há possibilidade de utilizar táxi e Uber. De táxi, uma corrida entre a Praça 7, no Centro e a Pampulha sai entre R$ 40,00 e R$ 60,00. Já no Uber, a corrida entre os mesmos pontos sai entre R$ 30,00 e R$ 35,00 com o UberBlack e entre R$ 15,00 e R$ 25,00 no UberX.

Se estiver de passagem por BH ou se escolher a capital para passar uns dias, não deixe de visitar a Pampulha e contemplar toda a beleza que o nosso principal cartão-postal deixa transparecer de forma tão exuberante.


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