AVIANCA 6247 – Uma grata surpresa


Bem vindos a mais um Flight Report. A empresa avaliada de hoje é a Avianca Brasil. Uma companhia brasileira que, apesar de ter o mesmo nome e logomarca, pertencer ao mesmo dono e participar da mesma aliança global da Avianca Colombia, não tem nada a ver com a empresa sediada no país vizinho. Pode parecer estranho, mas as operações das duas empresas são totalmente independentes. Tive a oportunidade de voar pela empresa pela primeira vez e confesso que fiquei admirado com a experiência. Confira.


Curitiba, 25 de janeiro. Depois de uma curta passagem pela cidade, chegava a hora do retorno para casa. Cheguei ao Aeroporto Internacional Afonso Pena com bastante antecedência, pois não queria que acontecesse nenhum contratempo como o que ocorreu na ida para a capital paranaense e que contei no FR anterior. Cheguei com quase 05 horas de antecedência. Meu voo para Guarulhos estava marcado para decolar as 17:09hs e cheguei pouco antes das 13:30hs. Com tempo de sobra antes do embarque e como ainda não havia ninguém no balcão da Avianca, resolvi almoçar e dar um passeio pelo belo e moderno terminal do aeroporto, que ainda está sob gestão da Infraero, mas está prestes a ser entregue a um operador privado, em um modelo de concessão semelhante ao já feito em Confins, Guarulhos, Campinas, Brasilia e Galeão.

Estava com uma expectativa muito grande para esse voo, pois seria a primeira vez que iria voar pela Avianca Brasil. Não havia voado antes porque, infelizmente a empresa ainda não opera em Belo Horizonte. Estava curioso para saber como era o serviço, pois o resultado disso poderia ser uma nova opção de companhia aérea para futuras viagens pelo país. Já havia voado apenas pela Avianca Colombia em uma viagem que fiz para Medellín em 2011 e tinha gostado bastante. Na minha opnião a Avianca colombiana juntamente com a chilena LAN são disparadamente as melhores empresas aéreas da América Latina, porém como a Avianca brasileira é uma empresa totalmente independente da colombiana, queria saber se o nível do serviço era também diferente ou não.

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Eram aproximadamente 15:30hs, quando o despacho foi aberto, porém quando voltei ao check-in, a fila já estava quilométrica, tanto no toten de autoatendimento quanto nos guichês para entrega de bagagens. Os funcionários pareciam um pouco perdidos em meio a tantos volumes de bagagens e por isso o atendimento foi bastante demorado. Não havia ninguém para coordenar a movimentação, afim de agilizar o processo. Foi o único ponto negativo que percebi nesta viagem pela empresa.

Passava pouco das 16:30 quando fomos chamados para o embarque pelo portão 14, onde estava o Airbus A320, que reconheci como sendo um dos aviões mais novos por causa dos “sharklets”, aquelas dobras na ponta das asas, semelhantes às dos Boeings 737-800 da Gol, que tem a função de melhorar a performance aerodinâmica do avião durante o voo e consequentemente reduzir o consumo de combustível. Os aviões da familia A320 mais recentes estão sendo equipados com esse novo formato de winglet em substituição ao formato anterior em forma de triângulo. Embarquei e logo tomei o assento 26A. A poltrona deste avião era mais um destaque positivo. De couro ecológico na tonalidade cinza tinha uma reclinação de quase 40 graus e um pitch de 36 polegadas. Além disso tinha um apoio de cabeça totalmente acolchoado e cuja as extremidades eram dobráveis, formando uma espécie de almofada. É sem dúvida nenhuma a melhor poltrona que experimentei em um voo doméstico. Ponto para a Avianca.

O sistema de entretenimento é outro ponto de destaque. Com telas individuais de 10″ touchscreen, havia uma opção variada de programação infantil e para adultos, com desenhos, seriados, filmes e músicas e é claro, o famoso flightradar, que mostra o progresso do voo no mapa. Simplesmente sensacional. Uma opção interessante, já que por enquanto a empresa ainda não está autorizada a liberar o uso de aparelhos eletrônicos durante o voo, nem mesmo em modo avião. Para os que prefeririam ler, a revista de bordo da companhia também estava disponível, bem editada e com conteúdos atualizados. Havia também tomadas e uma saída USB para carregar aparelhos eletrônicos. Mais um ponto para a Avianca.

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As portas foram fechadas pontualmente as 17:05 e o voo 6247 iniciou o táxiamento para a cabeceira da pista. Foi o táxiamento mais rápido que já vi, pois o portão 14 fica a menos de 500m em linha reta da cabeceira da pista. As 17:11hs o avião decolava, rumando para a altitude de cruzeiro de 31.000 pés. O voo estava lotado, com todos os 168 assentos ocupados.

Pouco tempo depois viria o grande destaque desse voo na minha opnião: Os comissários iniciaram o melhor serviço de bordo que vi até hoje no Brasil. Um delicioso e QUENTE… isso mesmo, QUENTE sanduíche de presunto, mussarela, molho branco e orégano, que veio dentro de um pacote térmico. Para beber, refrigerante Coca-cola e guaraná Antártica, suco de caixinha sabor laranja, goiaba ou uva, além de água mineral. Sinceramente, desde a nossa querida e saudosa Varig, nunca vi um serviço de bordo tão bom quanto esse. Mais um pontinho.

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Após 40 minutos de voo, iniciamos a aproximação para Guarulhos, com as praias de Santos e do Guarujá no visual da janela. Durante a descida, um susto. Ao passar em uma camada densa de nuvens, atingimos um grande bolsão de ar que começou a sacudir muito o avião e em um determinado momento dessa turbulência,  o A320 chegou a sofrer uma pequena queda livre. Alguns passageiros começaram a gritar, mas logo saímos das nuvens e o avião se estabilizou. Tudo isso durou uns dois munutos, mais de qualquer forma o susto foi grande.

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Pousamos em Guarulhos exatamente as 18:00hs, vinte minutos antes do horário previsto. Táxiamos e estacionamos no portão 213. O desembarque foi um pouco demorado por conta de um problema na acoplagem do finger, mas ocorreu de maneira organizada. Retirei a mala na esteira e fui correndo pegar o ônibus para Congonhas, pois ainda tinha que pegar mais um voo para chegar em casa.

Avaliação:

As notas vão de 0 até 10

Reserva: Nota 10

Feita no site da Avianca Brasil, que é de fácil navegação e compreensão.

Check-in: Nota 7

Com filas enormes e os atendentes pareciam meio perdidos. Não havia ninguém para dar suporte.

Embarque: Nota 10

Rápido e organizado, em menos de 10 minutos já estavamos todos embarcados.

Assento: Nota 10

O melhor que já vi em um voo doméstico no Brasil. De couro com com reclinação e pitch bons.

Serviço de bordo: Nota 10

Lanche quente é realmente um tremendo diferencial, principalmente no Brasil. A Avianca está realmente de parabéns.

Comissários: Nota 10

Foram impecáveis.

Sistema de entretenimento: Nota 9

Sistema fácil de operar, com telas individuais e grande variedade de programação. Muito bom.

Desembarque: Nota 9

Rápido e organizado, porém as portas demoraram para serem abertas por um problema na acoplagem do finger. É claro que esse problema não posso por na conta da companhia.

Pontualidade: Nota 10

Saída ontime e chegada antes do previsto. Perfeito.

Cuidado com as bagagens: Nota 10

Entregues perfeitamente intáctas.

Nota final: 9,50

Comentário final:

Voar em um Airbus A320 novinho em folha, com uma poltrona confortável de couro com tomada e tela indiviual com saída USB, saboreando uma refeição quente no serviço de bordo  e com uma tripulação simpática e solícita. E tudo isso por apenas R$ 89,00 + taxas. Realmente a Avianca Brasil tem um produto e tanto no mercado, capaz de fazer frente à concorrência sem muito esforço. O nível do serviço da empresa tupiniquim é equivalente ao da irmã colombiana e por isso me surpreendeu. Acho que a Avianca precisa apenas crescer sua malha, chegando em cidades que ela ainda não atende. É o ingrediente que falta para tirar o sono das concorrentes, que pararam no tempo, sem se preocupar com a melhoria de seus serviços. A Avianca Brasil foi uma grata surpresa e se continuar assim, tem tudo, tudo mesmo, para ser nossa maior e melhor empresa aérea.

 

JOHNNY BARBOSA

 

 


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